sábado, 30 de agosto de 2008

"Comumismo"

Não sou comunista. O mais perto que já cheguei disso foi quando pensei que as pessoas ricas metidas à comunistas poderiam dividir suas riquezas comigo, mas depois ví que fora apenas um rompante de inveja e egoísmo meus, não comunismo...

Já li um trecho ou outro das obras de Marx (Karl, não o Groucho) e devo admitir, é tudo muito legal e até coerente, mas o complicado do comunismo é que ele é uma ótima idéia e cheia de seguidores, seguidores NÃO PRATICANTES...

Outro dia eu estava a ler um texto, que achei na inet, intitulado: "Por uma arte revolucionária independente" com autoria atribuida à André Breton e Leon Trotski e escrito por volta de 1938. Um trecho, que foi baseado no que Marx escreveu certa vez, me agradou bastante, então, resolví colocá-lo aqui. Segue.

"A idéia que o jovem Marx tinha do papel do escritor exige, em nossos dias, uma retomada vigorosa. É claro que essa idéia deve abranger também, no plano artístico e científico, as diversas categorias de produtores e pesquisadores. "O escritor, diz ele, deve naturalmente ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas não deve em nenhum caso viver e escrever para ganhar dinheiro... O escritor não considera de forma alguma seus trabalhos como um meio. Eles são objetivos em si, são tão pouco um meio para si mesmo e para os outros que sacrifica, se necessário, sua própria existência à existência de seus trabalhos... A primeira condição da liberdade de imprensa consiste em não ser um ofício. Mais que nunca é oportuno agora brandir essa declaração contra aqueles que pretendem sujeitar a atividade intelectual a fins exteriores a si mesma e, desprezando todas as determinações históricas que lhe são próprias, dirigir, em função de pretensas razões de Estado, os temas da arte. A livre escolha desses temas e a não-restrição absoluta no que se refere ao campo de sua exploração constituem para o artista um bem que ele tem o direito de reivindicar como inalienável. Em matéria de criação artística, importa essencialmente que a imaginação escape a qualquer coação, não se deixe sob nenhum pretexto impor qualquer figurino. Àqueles que nos pressionarem, hoje ou amanhã, para consentir que a arte seja submetida a uma disciplina que consideramos radicalmente incompatível com seus meios, opomos uma recusa inapelável e nossa vontade deliberada de nos apegarmos à fórmula: toda licença em arte."

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Voto.

Minha crença e simpatia para com a política estão tão em baixa, que, ao ouvir essa palavra, uma conotação ruim logo surge à minha cabeça.

Dois meses para as eleições para prefeito e vereador e eu, como morador do rio de janeiro, estou novamente sem opções de voto, o que me fez pensar numa situação sobre voto, voto nulo e voto comprado...

-Agora:
Pense num cidadão comum.
Pense na lei da oferta e da procura.
Guarde esse raciocínio.

Tem quem ache que votar nulo é exercer a democracia, tem gente que acha que exercer a democracia é nem ser obrigado a votar, e tem aqueles que acham que ao se votar nulo, adota-se uma postura apolítica, fazendo com que o cidadão nulo-votista fique à mercê da vontade(ou falta de opção)alheia.

-Volte ao raciocínio guardado e misture com que foi escrito acima.

Um político sem voto num Estado democrático não é nada, o cidadão comum, ao votar nulo, está valorizando seu voto de maneira que possa fazer com que o preço dele aumente nesse mercado em que, não somente hoje em dia, se compra voto com qualquer coisa...

O cidadão com o poder de voto valorizado pode conseguir vender seu voto por mais que um dentadura ou um prato de comida, e, quem sabe um dia, comprar com seu voto um Estado melhor e mais justo ou um carro popular zero!?

Arquivo-Arte

Uma empresa é como um time de futebol, onde cada jogador tem uma atribuição específica e age de maneiras diferentes em situações diferentes. E, como em todo time de futebol, existem os gloriosos atacantes venerados pelos gols que marcam; os centroavantes que, com habilidade, manejam a bola até o ataque; o meio de campo que age tanto em prol do ataque quanto defesa; a zaga, que ao mesmo tempo em que tenta impedir os ataques inimigos efetua lançamentos para início de ofensiva; e o goleiro, que quando defende um gol não faz mais que sua obrigação, mas quando leva um, é rechaçado pela torcida. O Arquivo, é o goleiro, que, por sua posição, nunca faz pontos (Rogério Ceni não conta) apenas defende para que o time adversário não faça gol. O Arquivo é assim, ele não gera renda, receita ou lucro, quando atende um usuário que busca um documento - que se não for encontrado pode gerar uma multa milionária -, não está fazendo mais do que sua obrigação, e, se por acaso, não consegue atender a uma pesquisa qualquer, fica a um passo de tornar-se a ovelha negra da companhia. O Arquivo de uma instituição é praticamente uma instituição dentro de outra, essa dicotomia setor / instituição gera confusão no meio de campo, como se um jogador fosse também técnico ou dirigente do time, causando estranheza e, às vezes, mal estar. Como um goleiro, o Arquivo pode ter sua importância subestimada, mas todo bom time deveria saber que quando ninguém pode fazer mais nada, só há o goleiro em quem confiar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Livro: Arquivos Modernos – T. R. Schellenberg


Esse livro, ao lado do “Manual dos Arquivistas Holandeses”, é o velho testamento da arquivologia. Quem já o leu, pode achar que estou desmerecendo o velho testamento (cristão), não me entenda mal, fiz a afirmação apenas a título de comparação por conta da atualidade dos escritos mencionados.
...
Creio que todos concordem que tanto o “Arquivos Modernos” quanto o “Manual dos Arquivistas Holandeses” tenham sido a base da Arquivologia, o problema é quando se encaram esses livros não como ponto de partida no estudo, mas como base e substância quase que completa da teoria arquivística, como pode ser observado nos conteúdos programáticos dos concursos públicos e cursos. Uma outra questão muito importante quanto a essas peças bibliográficas é que, em relação à graduação em arquivologia na UNIRIO, elas são motivo de chacota durante certas aulas, onde os alunos não são estimulados a iniciar a leitura, porém, quando o aluno cai na real e lê, observa que muitos desses professores que fazem chacota possuem um discurso completamente “Schellenberguiano”. O “Manual dos Holandeses”, aparentemente, possui uma aceitação muito maior no meio docente da UNIRIO se comparado ao “Arquivos Modernos”, apesar de ser uns cinqüenta anos mais antigo.
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A literatura do tipo técnica raramente é de leitura prazerosa ou fácil, “Arquivos Modernos” não foge à regra, sendo monótono, repetitivo e repugnante em alguns momentos, tornando um desafio manter-se atento à leitura ou até mesmo acordado. Creio que a editora, tendo esse fato em vista, pôs uma tarja preta na capa... Infelizmente essa cretina analogia da tarja não funciona bem, pois os "medicamentos tarja preta" são os que causam dependência, não somente sonolência, apesar de associarmos a isso, e, com certeza, “Arquivos Modernos” não causa dependência alguma.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

As rosas não falam... Mas algumas desafinam

Esse "post" bem que poderia ser uma ode ao sambista Cartola, um dos poucos sambistas para quem eu tiro o chapéu - não dizendo que os demais são piores ou menores, pura questão de gosto - mas não é sobre samba e sambistas que eu posto nessa quinta-feira. A rosa que desafina no meu samba é a ponte floyd rose. Muita gente ama essa ponte de guitarra e muita gente odeia, mas a verdade que eu testemunhei é a seguinte: Floyd rose é coisa de rico. Não que a regulagem deva ser sempre feita luthieres (êta plural fajuto) caríssimos, mas floyd barata sai caro... Tenho, como milhares de pessoas, uma guitarra mediana baixa (leia-se: custa nova cerca de 1000 reais) que veio equipada com uma floyd rose que parece bem robusta, e até hoje, após quatro anos de uso, ela se mantém inteira. O barato sai caro porque, apesar da robusta floyd rose, os pivôs que a sustentam são uma bela porcaria e um deles está com uma folga absurda que arrasa com a afinação da guitarra. Pronto. Pesei os prós e contras da floyd rose e decidí que isso não é pra mim pelos seguintes motivos:
- Não sou o Steve Vai nem prentendo ser
- Afinar as oitavas numa ponte floyd rose é nada prático, trabalhoso e irritante
- Não sou sócio do luthier
- etc.
Mas gosto da minha guitarra, acho muito confortável e curto a timbragem que ela possui, daí, tomei uma decisão desesperadamente tosca ou toscamente desesperada: Podei a floyd rose e coloquei uma ponte daquelas de strato. Lugar de rosa é no vaso!

sábado, 26 de julho de 2008

Humpf

Umas músicas que publiquei no Jamendo (estão num post) foram utilizadas num filme independente francês chamado Icare. Tudo bem, grande coisa, não tinham só as minhas músicas... Mas contei à algumas pessoas, pois para mim foi um fato muito legal. Gravei, publiquei e alguém se interessou... Acesso Livre funciona para o que se propõe.
...
Quase todas as pessoas para quem contei fizeram de cara a mesma pergunta:
"Vai ganhar em Euros?"

Bom, quem não me conhece, pode achar que eu espero ganhar algo com música, mas quem me conhece sabe que não espero nem mereço ganhar um centavo com minhas músicas...

Aí vem a motivação desse post: Trabalho x Passatempo.
Se acaso eu tivesse ganhado algum dinheiro por causa das músicas no filme, meu passatempo estaria prestes a se tranformar em trabalho? Se eu começasse a querer sempre ganhar dinheiro com música, acabaria por fazer música pensando nisso...
Não quero transformar meus momentos de prazer musical em trabalho! Isso acaba com a mágica de tudo que gostamos, mesmo que por um lado traga a mágica de ganhar dinheiro, que nunca é demais!..

Há quem sonhe em ter um passatempo remunerado, eu mesmo, às vezes, porém, apenas uma linha muito tênue separa o passatempo remunerado do trabalho (e todas as atribuições inconvenientes que essa palavra traz consigo).

É um perigo transformar coisas que fazemos por prazer num negócio rentável, prostituirmos nossos passatempos é ruim, porque quando se transforma um passatempo em trabalho, qual será nosso passatempo?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Hei! Eu bem que poderia ter ganhado uma passagem pra frança!
Viajar não seria um mau novo passatempo!
He-he

domingo, 13 de julho de 2008

Django Reinhardt

Conheci Django numa noite no rio de janeiro. Eu deveria ter uns 16 anos ou menos e estava sem sono. Liguei a televisão e coloquei num sistema brasileiro de TV, onde passava um filme chamado “Swing Kids”. O legal desses nossos tempos modernos de tecnologias espaciais como televisão e forno de microondas é que os conceitos espaço e tempo acabam deixando de ser empecilho. Claro, tempos atrás eu poderia provavelmente conhecer Django, a partir de um amigo, conhecido, ou seja, não durante a caminhada solitária pela longa estrada de informação – ou desinformação - que a televisão nos proporciona. Retomando o filme, não, não era um filme sobre jovens que praticam "Swing" (troca de casais) com intuito de apimentar a relação ou a competição, ele conta a história de um movimento de jovens alemães na década de 30 que “compraram” o “american and british way of life”, por ouvir Jazz & Swing, contrariando o que o regime totalitário alemão queria para seus jovens, futuros nacionalistas... Um dos personagens, o “Arvid”, interpretado se não me engano, por Frank Whaley, era violonista, além de manco, e adorava Django Reinhardt. As músicas tocadas no filme me despertaram interesse pelo autor e fui à procura de informação extra, que, claro, a internet me proporcionou - com uma certa resistência...tempos de inet discada...
...
Se você, e-leitor, curte música instrumental, violão e as vertentes menos rebuscadas e sincopadas do Jazz, Django é uma boa pedida, suas gravações até que são boas, levando em consideração a data, e seu jeito de tocar é inimitável. Melodias interessantes, swing fora do comum, uma criatividade que só um mestre do improviso poderia demonstrar. Conta-se inclusive que André Segóvia (violonista clássico famosíssimo, acho que foi quem implementou o uso de cordas de nylon nos violões) espantou-se com Django, um mero cigano francês, quando numa apresentação conjunta, percebeu que o francês não utilizava partituras...

Não darei detalhes biograficos acerca do violonista em questão, nem links para músicas em mp3, isso há aos montes pela internet, fica a cargo seu, e-leitor buscar ou não. Mas deixo uma dica: Se ouvir Django, e curtir, existe um violonista mais recente, também francês, de nome Bireli Lagrene, que consegue administrar com maestria o tesouro deixado de herança pelo cigano...